SX
ECONOMIA
1 -Balança Comercial

As trocas comercias bilaterais são tradicionalmente favoráveis a Portugal, com as exportações a registarem um crescimento continuado no período 2001-2004, tendo sofrido, devido a alterações no tratamento dos dados estatísticos, uma quebra de cerca de 9% em 2005, voltando a recuperar em 2006 e alcançando 199,2 milhões de Euros (mais 22% que no ano anterior e mais 51% que em 2005), segundo o INE.

A confirmar esta tendência, as exportações nacionais para Marrocos subiram mais de 39% em 2008 (dado INE de Janeiro a Setembro 2008) passando de 151 milhões de Euros em 2007 para 210,4 milhões no mesmo período de 2008.

Por seu turno, as exportações de Marrocos para Portugal, depois de atingirem um pico em 2002, diminuíram entre 2003 e 2005, voltando a subir em 2006 para valores superiores aos registados em 2002. Em 2007 observou-se nova subida, neste caso de 18% em relação ao ano anterior, alcançado-se os 85,5 milhões de Euros.

Marrocos é hoje o 21º cliente de Portugal e o 47º fornecedor, sendo também o mais importante mercado português na região do Magrebe, quer em termos de vendas como de investimentos.

De acordo com os dados compilados pelo Office des Changes, o comércio bilateral aponta valores ainda mais elevados, com as exportações marroquinas para Portugal a totalizarem 183 milhões de Euros em 2007 e as importações a atingirem os 273,4 milhões de Euros.

As estatísticas locais do Office des Changes, revelam ainda que Portugal situou-se entre os maiores clientes em 2007 (11ª posição), e foi o destino de cerca de 1,8% do total das exportações marroquinas e de 1,2% das compras de Marrocos ao exterior, a que correspondeu a 19ª posição no ranking de fornecedores. Se analisarmos apenas os fluxos comerciais de Marrocos com os países da UE, a posição de Portugal melhora significativamente, passando a ser o 8º cliente e 9º fornecedor de Marrocos (2007). A nossa quota no mercado marroquino vem aumentando de forma consistente, com realce para produtos com valor acrescentado.


2- Investimentos

Marrocos é um importante destino do investimento português no exterior, sendo já muitas as empresas portuguesas instaladas no mercado, quer a título individual quer em parceria, em áreas tão diversas como a construção civil e obras públicas (sector mais significativo e também com maior dinamismo), os cimentos, a metalomecânica, as telecomunicações, captação de água, vestuário, material eléctrico, serviços, etc.

A confirmar a importância deste mercado enquanto destino do investimento português no exterior estão os dados publicados pelo Office des Changes que colocam Portugal na 22ª posição do ranking de investidores estrangeiros em Marrocos em 2007. Esta posição representa no entanto uma descida relativa ao 19º lugar ocupado em 2005, depois de já ter ocupado o 1º lugar em 1999 e o 2º em 2001, momento com especial realce para as privatizações das telecomunicações, dos cimentos e dos adubos.

Apesar do número de empresas instaladas estar em crescimento, sendo hoje cerca de 120, os valores investidos tendem a ser relativamente pequenos, feito sobretudo por PMEs. Assim sendo, e segundo o Banco de Portugal, Marrocos caiu para 20º lugar como destino de investimento português no estrangeiro.

Dos principais grupos económicos portugueses presentes destacam-se a Portugal Telecom (que participa com 32% na Meditelecom, conjuntamente com a Telefónica com igual percentagem), a Cimpor (detentora da terceira maior cimenteira marroquina), o Grupo Mello (sector agro-alimentar e sector adubos no qual possuía segunda posição no mercado), Jaime Ribeiro & Filhos, Adrianos, Casais, Eusébios & Filhos, Conduril, Lena Construções, Somafel e Tecnovia (no sector as construção e obras públicas), a Maconde (com uma fábrica própria e 8 subcontratadas), a TAP (líder do consórcio que ganhou, em 2004, "handling" dos aeroportos marroquinos), os bancos BES e BPI, entre outros.

Na construção e obras públicas, área que mantém importante presença nacional, e de acordo com o inquérito AICEP, foram abjudicados a empresas portuguesas presentes no mercado mais de 700 milhões de Euros, entre 2007 e finais 2008.

A mesma tendência ascendente é comprovada pelas obras emblemáticas que muito recentemente foram ganhas por empresas portuguesas, como o alargamento da auto-estrada Rabat-Casablanca (cerca de 70 milhões de Euros) e a construção da gare ferroviária de Casablanca (17 milhões de Euros), - ambas adjudicadas à empresa Conduril - Construtora Duriense S.A - ou de um complexo de resorts na zona de Tanger (cerca de 42 milhões de Euros), atribuído à empresa Monte Adriano Engenharia e Construção S.A. A participação de empresas portuguesas em vários concursos públicos neste momento, em áreas tão diversas como a energia solar, saneamento básico, consultoria etc. fazem antever ainda melhores perspectivas.

A recente abertura pela TAP Air Portugal de um voo diário de Lisboa para Casablanca, numa aposta particularmente audaciosa no contexto actual, prova o interesse que Marrocos desperta junto dos agentes económicos portugueses.

Os fortes investimentos previstos, a serem levados a cabo pelo Estado marroquino, pelo sector privado e grandes empresas multinacionais, em áreas como a construção de estradas, portos e aeroportos, turismo, energia e indústria automóvel, abrem novas oportunidades para a presença nacional nos próximos anos.


3- Turismo

Segundo Turismo de Marrocos o número de turistas portugueses cresceu cerca de 38.5% entre 2003 e 2007, passando de 36.000 para 49.800. Marrocos é um destino em crescimento no mercado português, cifrando-se em cerca de 50.000 os turistas portugueses que visitaram o país durante o ano de 2008.
O número de turistas marroquinos em Portugal, embora em crescimento, é de pouca expressão.


4- Linhas de Crédito

Por ocasião da X Comissão Mista de Alto Nível (Julho 2008) foi assinado um Memorando de Entendimento visando a duplicação da linha de crédito de 200M€ para 400M€, tendo em consideração a sua importância estratégica no apoio à participação das empresas portuguesas nos projectos que o Governo marroquino pretende realizar.
As partes acordaram igualmente em substituir por um novo instrumento financeiro a linha de crédito de 10M€, destinada ao financiamento das importações de bens e serviços pelas PMEs portuguesas e marroquinas.
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